Como importar o extrato bancário (OFX) no controle financeiro
O arquivo OFX é o jeito de trazer meses de histórico sem digitar nada — e sem entregar a senha do banco a ninguém. Como baixar, o que ele traz e o que ele não traz.
A barreira de entrada de qualquer controle financeiro é a mesma: começar do zero significa uma tela vazia, e uma tela vazia não responde nenhuma pergunta. Digitar três meses de histórico à mão resolve, e quase ninguém faz — é trabalhoso o bastante para adiar indefinidamente.
O OFX existe justamente para pular essa etapa.
O que é um arquivo OFX
OFX significa Open Financial Exchange. É um formato de arquivo padronizado, criado para troca de dados financeiros, que praticamente todo banco brasileiro disponibiliza para download no extrato. Por dentro, ele é um arquivo de texto com uma lista de transações: data, valor, descrição e um identificador único por lançamento.
A diferença para um PDF do extrato é decisiva: o PDF foi feito para uma pessoa ler, o OFX foi feito para um programa ler. É por isso que a importação de OFX é confiável e a leitura de PDF é sempre aproximada.
Como baixar o OFX no seu banco
O caminho exato muda a cada banco e muda com o tempo, então vale o padrão em vez do passo a passo de cada um:
- Vá ao extrato, não à faturaA opção fica na tela de extrato da conta corrente. Em vários bancos ela está no aplicativo; em outros, só no internet banking pelo computador.
- Procure "exportar", "baixar" ou o ícone de compartilharO rótulo varia. O que você procura é a lista de formatos disponíveis.
- Escolha OFX, e não PDF nem CSVAlguns bancos chamam de "OFX (Money/Quicken)" ou "arquivo para gerenciador financeiro" — é o mesmo. Se só houver PDF e CSV, o CSV é o segundo melhor.
- Selecione o períodoA maioria dos bancos permite entre 3 e 12 meses. Baixe o máximo que ele oferecer: histórico não atrapalha, e é o que faz a comparação entre meses existir desde o primeiro dia.
O que o OFX traz — e o que ele não traz
Esta é a parte que evita frustração. O arquivo é excelente no que faz, e existem coisas que ele simplesmente não contém.
| O arquivo traz | O arquivo NÃO traz |
|---|---|
| Data de cada transação | A categoria do gasto — ela é sua, e precisa ser atribuída |
| Valor e sinal (entrada ou saída) | O que foi comprado dentro de uma fatura de cartão |
| Descrição, como o banco a registrou | A divisão de uma despesa entre pessoas |
| Identificador único por lançamento | O motivo de uma transferência |
A limitação mais relevante é a segunda: o extrato da conta corrente mostra o pagamento da fatura do cartão como UMA linha, com o valor total. As compras que formaram aquela fatura não estão ali — elas estão na fatura, que é outro documento. É por isso que o histórico importado responde "quanto saiu" e o registro do dia a dia responde "no quê".
Sobre a descrição: ela vem como o banco escreveu, não como você diria. "PIX ENVIADO 12/03 JOAO M S" é o padrão, e não há como o arquivo saber que aquilo era o conserto da geladeira.
Duplicidade, o problema clássico da importação
Quem importa dois arquivos com períodos que se sobrepõem corre o risco de contar o mesmo gasto duas vezes — e um histórico com lançamento duplicado é pior do que não ter histórico, porque ele produz números errados com aparência de certos.
O formato prevê a solução: cada transação tem um identificador único atribuído pelo banco, e é por ele que uma importação bem-feita reconhece o que já entrou. Ainda assim, vale a conferência humana depois da primeira importação — some o total do mês e compare com o saldo do extrato.
Como funciona no Nuni Finance
- A importação de extrato em OFX está disponível em todos os planos — não é recurso de plano superior.
- O aplicativo não se conecta ao seu banco e não pede a senha da sua conta: o arquivo é você quem baixa e envia.
- Os lançamentos importados entram como qualquer outro, então dá para categorizar, editar a descrição e corrigir o que o banco escreveu de forma pouco legível.
- O histórico importado passa a alimentar os relatórios e a comparação entre meses imediatamente, em vez de você esperar dois meses de uso para ter base de comparação.
- Compras no cartão continuam sendo registradas pela via do cartão, com fatura e parcelas — o extrato da conta traz o pagamento da fatura, e essa separação é mantida de propósito.
A recomendação prática é usar os dois caminhos: importe o extrato para ter o passado, e registre no dia a dia para ter a categoria e o detalhe do cartão. Um resolve o histórico, o outro resolve a análise.